domingo, 7 de setembro de 2014

À beira do caminho

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás tão longe de me salvar, tão longe das palavras do meu gemido?” Salmos 22:1

Aos olhos humanos a cena da crucificação era como uma locomotiva desgovernada, aparentemente tudo estava fora de controle. O Mestre estava morto. Mas se aguardarmos um pouco nós contemplaremos um túmulo vazio e entenderemos que o propósito de Cristo não era ser entronizado entre homens, em ser líder de uma revolução contra o Império Romano. Ele veio para morrer.
Esta cena me faz lembrar de uma estória...

“Um homem que transportava água na Índia tinha dois grandes jarros. Ele carregava um em cada ponta de uma madeira apoiada sobre a nuca. Um dos jarros estava trincado, ao passo que o outro era perfeito. Este sempre chegava cheio de água ao fim da longa caminhada do riacho até a casa do patrão do carregador. O jarro trincado chegava com água só pela metade. Todos os dias, durante dois anos o carregador chegava apenas com um jarro e meio de água.
O jarro perfeito tinha orgulho de suas realizações, pois cumpria com excelência o propósito para o qual tinha sido feito. Mas o pobre jarro trincado tinha vergonha de sua imperfeição e sentia-se abatido pó ser capaz de realiza apenas metade da tarefa para a qual tinha sido feito.
Infeliz, depois de dois anos considerando isso um triste defeito, um dia o jarro falou ao carregador junto ao riacho:
_ Tenho vergonha de mim mesmo, e quero pedir-lhe desculpas.
_ Por quê? De que você sente vergonha?
_ Durante os dois últimos anos tenho sido capaz de chegar com apenas metade da minha capacidade, porque essa trinca no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho de volta à casa do seu patrão. Por causa dos meus defeitos, você tem de ter todo esse trabalho e não obtém o melhor resultado dos seus esforços.
O carregador teve pena do velho jarro trincado e disse em sua compaixão:
_Quando estivermos voltando, quero que você observe as lindas flores ao longo do caminho.
De fato, ao subirem a colina, o jarro trincado observou as belas flores do campo que estavam ao lado da trilha, brilhando sob os raios de sol, e essa visão o animou um pouco.
Mas no final da trilha, ele ainda se sentia mal por perder metade da água e, por isso, desculpou-se novamente com o homem.
O carregador disse então ao jarro:
_ Você percebeu que havia flores somente do seu lado do caminho e não do lado do outro jarro?  Eu sempre soube do seu defeito e o usei para algo bom. Joguei sementes de flores no seu lado do caminho, e todos os dias, enquanto fazíamos nosso percurso de volta do riacho, você as regava. Durante dois anos pude colher lindas flores para enfeitar a mesa do meu patrão. Se você não fosse do jeito que é, ele não teria essas lindas flores para alegrar a casa.”

O artista do óbvio se apressará em dizer que todos nós somos jarros trincados e que devemos permitir que Jesus use nossos defeitos e fraquezas para enfeitar a mesa do Pai. Muito lindo, mas esta lição de moral está batida. Convido você a olhar por outro ângulo.
O jarro pensava que o propósito único de sua vida era transportar água do riacho para a casa. Preso a este pensamento ele não conseguia ver o propósito maior de Deus para ele: fazer germinar as sementes de flores que haviam sido lançadas ao longo do caminho.
O jarro não tinha a menor ideia do seu propósito de produzir vida.

Aos seus olhos talvez sua vida esteja fora dos trilhos. Mas será que o que você tem em mente é o real propósito de sua vida?
Será que você está nesta universidade somente com o propósito de conseguir um diploma? Será que seu trabalho é somente para lhe proporcionar um salário no final do mês? Será que você mora neste bairro somente por ser uma bairro tranquilo e seguro? Será que você faz todos os dias o mesmo trajeto somente por ser mais conveniente?
É preciso enxergar além do que nossos olhos podem ver. Fique atento. Olhe ao seu redor, talvez tenham sementes à beira do caminho só esperando você para serem regadas e floresceram.



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